A decisão do desembargador Sebastião Bonfim, na tarde de quinta-feira (16) de negar liminar a mandado de segurança impetrado pelo vice-governador Felipe Camarão (PT) para suspender as Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) instalada na Assembleia Legislativa para investiga-lo por suposta movimentação financeira “atípica”, com base em denúncia do procurador geral de Justiça Danilo Castro, causa forte dano ao projeto de candidatura do petista ao Governo do Estado, com potencial para arranhar-lhe a imagem de homem público.
O viés político sofre dura fragilização, uma vez que Felipe Camarão terá de se defender publicamente de acusações numa CPI composta predominantemente por adversários políticos, entre eles o próprio autor da proposta de criação da Comissão, deputado Yglésio Moises (PRD), de direita radical e inimigo declarado dos segmentos de esquerda, e da deputada Mical Damasceno (Republicanos), da extrema direita radical e declaradamente inimiga do vice-governador por motivos pessoais. A seu favor, apenas o deputado Rodrigo Lago (PSB).
Ninguém duvida de que, mesmo formalizada dentro das regras e fundamentada numa denúncia assinada pelo procurador geral de Justiça contra o vice-governador, será transformada num ringue de ácidos confrontos políticos, com forte e inevitável motivação eleitoreira. Pelo que vem sendo desenhado nos bastidores, o objetivo será criar uma situação que deixe o vice-governador Felipe Camarão sem condições de manter o seu projeto de candidatura ao Governo do Estado e, se possível, afasta-lo do cargo, pelo menos temporariamente, o que altera a cadeia sucessória no Poder Executivo em meio a uma crise institucional de desdobramentos imprevisíveis. Poucos acreditam que o imbróglio chegará a tanto, mas é quase unânime, entre aliados e adversários, que, se a CPI for levada à frente, os confrontos que vierem a ser travados produzirão estragos para todos os lados.
O ponto central dessa equação é o seguinte: se não conseguir barrar o processo na Justiça e tiver de comparecer para depor, o vice-governador Felipe Camarão se defenderá atacando. O que ele dirá? Ninguém sabe.
Politicamente, ser investigado por uma CPI da Assembleia Legislativa, enfrentando questionamentos sobre sua integridade no período em que foi secretário de Estado da Educação – apontado como gestor de escol, com um trabalho reconhecido como largo e inovador – não é um bom para o vice-governador Felipe Camarão. Ele sabe que, mesmo que venha dar em nada, a CPI tem potencial para embaraçar ainda mais a relação dele com o PT e dificultar perigosamente a definição do seu futuro político.
No momento, o braço maranhense do PT está rachado quase que ao meio e mergulhado numa guerra interna na qual uma banda defende a candidatura do vice-governador Felipe Camarão ao Palácio dos Leões, liderando a campanha do presidente Lula da Silva à reeleição, e outra que quer o PT alinhado ao governador Carlos Brandão (sem partido) apoiando a candidatura de Orleans Brandão (MDB). Todos os sinais têm sugerido que a cúpula nacional do PT e o próprio líder petista querem a candidatura do vice, mas sem romper com o governador, preservando assim uma produtiva parceria institucional com viés político. Mas nada está definido ainda.
Ainda que seja vista como um instrumento político usado pela base governista para “queimar o filme” político do vice-governador, a CPI pode criar-lhe embaraços dentro do partido. Felipe Camarão terá de fazer uma movimentação política de peso para se viabilizar o nome que, em nome da chamada esquerda moderada, liderar a campanha de Lula da Silva no Maranhão, seja como candidato a governador, seja como candidato a senador, seja como candidato a deputado federal, ou mesmo sem ser candidato.
O feriadão dispersará os envolvidos no imbróglio, funcionando também como um período de conversas longe dos holofotes. Os sinais que indicarão o futuro do vice-governador Felipe Camarão na CPI serão vistos na próxima quarta-feira (22), quando a Comissão se reunirá para escolher o presidente e o relator e iniciar, efetivamente os seus trabalhos.
PONTO & CONTRAPONTO
REGISTRO
Lula se mostra o estadista pleno quando diz que, se perder a eleição, aceitará a derrota

que Jair Bolsonaro não foi capaz
Indagado por jornalistas sobre como reagirá se o senador Flávio Bolsonaro (PL) vencer a eleição presidencial, o presidente Lula da Silva (PT) foi taxativo: “Nós temos que aceitar”. Confirma a declaração de alguns anos, quando perdeu a terceira eleição: “Não ganhei e fui para casa lamber as feridas e me preparar para a próxima”.
A reação do presidente causou muitas discussões. Uns viram nas entrelinhas da resposta sinais de insegurança do chefe da Nação quanto ao resultado, admitindo até a possibilidade de ser derrotado. Outros interpretaram em sentido contrário.
Na sua resposta, Lula da Silva mostrou ao Brasil, mais uma vez, o tamanho da sua estatura política. Um presidente candidato à reeleição jamais poderia responder a essa pergunta dizendo que sairá vencedor esmagando os outros candidatos nas urnas. Nesse aspecto, sua resposta foi a manifestação de um chefe de Estado com visão maior.
Ao afirmar que aceitará uma derrota sem discutir o resultado, o presidente Lula da Silva dá uma demonstração cabal e inequívoca de que acredita plenamente na Justiça eleitoral e, principalmente, no sistema de votação eletrônica, que ao longo de quase quatro décadas vem sendo usado e ajustado sem nunca ter sido objeto de uma denúncia consistente em relação aos resultados várias vezes as câmaras Municipais, os mais de cinco mil prefeitos, os deputados estaduais, os governadores, os senadores e os presidentes da República desde Fenando Collor em 1989.
Com a sua resposta, Lula da Silva se portou como um estadista que acredita na política, que respeita o voto popular, que defende o sistema de alternância no poder e que sabe que uma democracia vale o que o voto popular limpo, sem mácula, decidir.
O presidente mostrou, mais uma vez, ser um estadista forjado nas lutas políticas, primeiro como o líder sindical que enfrentou a ditadura, foi preso por ela, mas não se dobrou. E depois como o líder político que fundou um partido autêntico, que participou da Assembleia Nacional Constituinte como deputado federal e que perdeu as três primeiras como candidato a presidente da República, elegendo-se na quarta tentativa, em 2002, para se reeleger em 2006 e eleger Dilma Rousseff (PT) em 2014 e ajudar a reelege-la em 2018. E voltar ao comando do país em 2022, depois de ter sido criminosamente injustiçado e preso por mais de 500 dias.
Uma postura bem diferente do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), que passou todo o seu mandato questionando, sem prova alguma, o voto eletrônico, promover campanhas sem base contra a Justiça Eleitoral, tentou de todas as maneiras desmontar ou fragilizar as instituições, a começar pela Suprema Corte, para no final, derrotado nas urnas, fez o que todo aspirante a ditador fez: não reconheceu o resultado límpido das urnas – mas não questionou a reeleição dos filhos deputados – , cometeu a grosseria de não cumprimentar o presidente eleito e, como ficou largamente demonstrado, tramou um golpe para continuar no poder mesmo tendo sido derrotado nas urnas usando a máquina pública. O golpe só não foi consumado porque dois dos três comandantes militares se negaram a romper a ordem institucional. Seria hoje um líder respeitado se tivesse ido para casa “lamber as feridas” e se preparado para a eleição presidencial deste ano contra o próprio Lula da Silva.
Como disse recentemente o historiador Fernando Moraes, que lançou uma biografia do atual presidente, Lula da Silva está consagrado como o maior presidente da história do Brasil até aqui, com um legado muito mais amplo e rico do que o do presidente Getúlio Vargas.
Sem o cacife político de antes, Paulo Victor teria arquivado o seu projeto de ser deputado estadual
Não é uma informação oficial, mas os rumores que correm na Câmara Municipal de São Luís dizem que presidente do parlamento ludovicense, vereador Paulo Victor (PSB) teria mandado para o arquivo morto o seu projeto de disputar uma cadeira na Assembleia Legislativa.
Fatos ocorridos do final do ano passado minaram o projeto de candidatura, de modo que ele se tornou inviável de uns tempos para cá.
A principal e decisiva rasura no projeto de candidatura foi a decisão do Supremo Tribunal Federal de fulminar o esquema de antecipação de eleição das Mesas Diretoras dos parlamentos estaduais e municipais.
Na Câmara Municipal estava em andamento o seguinte acordão: Paulo Victor anteciparia a eleição do seu sucessor para este mês de abril e apoiaria a candidatura do vereador Beto Castro, e este, por sua vez, apoiaria sua candidatura à Assembleia Legislativa. A decisão de que, a partir de agora, reeleição de presidente de parlamento só poderá ocorrer a partir de quatro meses antes da posse, que sempre acontece no dia 2 de fevereiro. Essa decisão impôs o naufrágio do projeto.
Mais expressivos surgido na vida política de São Luís, estando no terceiro mandato de presidente da Câmara em dois mandatos de vereador, Paulo Victor chegou no ápice da trajetória de um vereador da Capital nos primeiros anos de 2024, quando chegou a se lançar como pré-candidato a prefeito, tornando-se um adversário duro e agressivo do prefeito Eduardo Braide (PSD). Seu trunfo maior era o apoio do governador Carlos Brandão, que o fez secretário estadual de Cultura sem perder o cargo de presidente da Câmara.
Uma série de problemas o afastou do Palácio dos Leões, tirando dele uma grande fatia de poder. Se reelegeu vereador com mais de 12 mil votos e também presidente. Sem o cacife de antes, tentou várias manobras políticas para se manter alinhado aos Leões, entre elas o esquema para eleger o vereador Beto Castro, que seria a sua catapulta para a Assembleia Legislativa, mas tudo veio a baixo com a decisão do Supre.
A partir daí, o presidente da Câmara Municipal praticamente saiu de cena. E pelo que se sussurra nos bastidores, teria desistido de tentar ser deputado estadual.
São Luís, 18 de Abril de 2026




























