
Martins e Raimundo Júnior – pode ter posição
fragilizada no Podemos; embaixo: Matheus
do Beiju, Severino Sales e Josélia Rodrigues
a caminho da Câmara de São Luís
A cassação dos vereadores Fábio Macedo Filho, Wendel Martins e Raimundo Júnior, do Podemos, pelo Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MA), na última quinta-feira, além de abrir três vagas na Câmara Municipal de São Luís, teve efeito bombástico no braço maranhense do partido, atingindo fortemente o seu presidente regional, deputado federal Fábio Macedo. Os cassados ainda têm o direito de recorrer ao próprio TRE, e se não obtiverem sucesso, poderão buscar uma tábua de salvação no Tribunal Superior Eleitoral (TSE). E pelo anunciou ontem o vereador Fábio Macedo Filho, orientado pelo pai, o Podemos tentará reverter a decisão, que, vale informar, cassou toda a chapa de candidatos do Podemos à Câmara Municipal de São Luís na eleição de 2024.
A cassação dos vereadores do Podemos na Câmara de São Luís teve como fundamento uma denúncia, confirmada, de que a direção do partido enxertou na relação de candidatos a vereador algumas candidaturas femininas, que na verdade não teriam interesse algum na disputa. Seriam “laranjas”, o que é crime eleitoral gravíssimo e que já derrubou uma penca de mandatos em muitas cidades em diferentes regiões do País. No entendimento da Justiça Eleitoral, essas pessoas figuraram na lista de candidatos sem serem, na verdade, candidatas.
Se a cassação for confirmada – o que é o mais provável pelo fato de sido uma decisão unânime do TRE-MA, Fábio Macedo Filho, Wendell Martins e Raimundo Júnior terão de limpar as gavetas e deixar o Palácio Pedro Neiva de Santana. A decisão não tem, ainda, efeito suspensivo, os vereadores recorrerão ao TRE exercendo o mandato. Se perderam terão de ir para casa, abrindo caminho para a posse dos suplentes Josélia Rodrigues (Democracia Cristã), Matheus do Beiju (PL) e Severino Sales (PSD), que ganharão mais de dois anos de mandato. Nesse caso, o plenário da Câmara Municipal de São Luís ganhará uma nova configuração.
A palavra final da Justiça Eleitoral, que pode ser a do TRE-MA rejeitando eventual recurso e confirmando a cassação. Nesse caso, os cassados terão o direito de recorrer ao TSE, mas agora sem mandato, portanto fora da Câmara Municipal. No âmbito da especulação com base em avaliação de quem entende do riscado, o TRE dificilmente derrubará uma decisão unânime tomada por ele próprio. E de acordo com a tradição, o TSE não costuma desfazer uma decisão unânime do TER com base na sentença de um juiz de base, como foi o caso.
Se confirmada, a provável extinção da bancada do Podemos na Câmara Municipal de São Luís será, se confirmada, uma pancada sem medida na posição do deputado federal Fábio Macedo, o seu presidente no Maranhão, a começar pelo fato de que um dos cassados. Fábio Macedo Júnior, é seu filho, que pode ter sua carreira interrompida pelo que há de pior e mais grave na política além da compra de votos. E a suspeita recai exatamente sobre o parlamentar, que poderá enfrentar problemas com a cúpula nacional do partido.
Começa com o fato de que, ao contrário de outros partidos, como o PP e o Republicanos, MDB e PSD, por exemplo, o Podemos teve um desempenho fraco nas articulações para atrair filiados de peso na fase da janela partidária. Entre os nomes que atraiu, o presidente Fábio Macedo exibiu a filiação do ex-deputado Ricardo Murad, que não é o político poderoso de outros tempos, como uma grande conquista para o partido. Tudo indica que o seu objetivo foi montar um partido para atender ao seu projeto de reeleição.
Em Tempo: se a queda da bancada do Podemos na Câmara Municipal de São Luís for confirmada, como está previsto, uma ascensão justa será a do suplente Severino Sales, que há muito vem batalhando para ocupar um lugar na política da Capital
PONTO & CONTRAPONTO
Esmênia fará mudanças na equipe, mas deve manter Azzolini na Fazenda e Cirineu na Seplan
A prefeita Esmênia Miranda (PSD) começa a fazer os ajustes naturais na equipe que vai comandar pelos próximos dois anos e nove meses. Mas de acordo com uma fonte com trânsito no Palácio de la Ravardière, dificilmente ela mudará o comando de duas pastas: Fazenda e Planejamento.
Sob o comando de Jesus Azzolini, a Secretaria de Fazenda foi fundamental para dar à gestão Eduardo Braide a estabilidade financeira que alcançou e permitiu que o prefeito realizasse uma programação de obras de grande envergadura. Conhecedor profundo da estrutura tributária do Maranhão, Jesus Azzolini conseguiu dinamizar a máquina arrecadadora da Prefeitura de São Luís.
Já a Secretaria de Planejamento, comandada por Simão Cirineu Dias foi o ponto-chave do equilíbrio fiscal da Prefeitura da Capital. Com a experiência de planejamento nas searas da União e de estados como Minas Gerais e Maranhão, Simão Cirineu deu à gestão de Eduardo Braide um planejamento correto de gastos. A bolada de R$ 1,6 bilhão em obras anunciadas pelo prefeito antes da renúncia foi o resultado o planejamento comandado por Simão Cirineu.
Vale lembrar que foi exatamente a dupla que tirou o Governo de José Reinaldo Tavares do buraco financeiro e do desequilíbrio fiscal, permitindo que o então governador entregasse ao seu sucessor, Jackson Lago, um estado com equilíbrio fiscal, que traduzindo significa não poder gastar mais do que se arrecada.
Escolhido relator, Weverton defenderá a indicação de Jorge Messias para o Supremo
O senador Weverton Rocha (PDT) foi escolhido pelo presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União/AP), para ser o relator da indicação, pelo presidente Lula da Silva (PT), do advogado geral da União, Jorge Messias, para a vaga de ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), aberta há seis meses com a aposentadoria do ministro Luís Roberto Barroso.
A escolha do senador pedetista chama a atenção pelo fato de ter sido exatamente ele o escolhido para relatar a indicação do então senador Flávio Dino (PSB), que assumiu a vaga aberta com a aposentadoria do ministro Ricardo Lewandowski.
A exemplo do que aconteceu em relação a Flávio Dino, que teria sido apanhado de surpresa, o relatório do senador Weverton Rocha será plenamente favorável à indicação do advogado geral da União. E será, como da vez passada.
Não se nega que o relator tem papel institucionalmente importante. Mas em caso indicação para vaga no Supremo Tribunal Federal, o relatório perde peso à medida que nenhum senador o lerá com interesse profundo para definir se votará a favor ou contra.
Nesse caso, o que vale mesmo são as articulações que o próprio indicado faz para conseguir os 41 votos necessários para garantir a vaga. Isso porque escolha de ministro é uma decisão política, principalmente quando se tem uma oposição forte como é a atual na Câmara Alta.
Nos bastidores do Congresso Nacional corre que se a indicação fosse votada agora, com o voto a favor ou contrário do relator, Jorge Messias seria aprovado com mais de 50 votos. Vale lembrar que a oposição bolsonarista fez de tudo para derrotar a indicação de Flávio Dino, mas ele venceu por 47 votos em dezembro de 2023.
São Luís, 11 de Abril de 2026.




























